Coluna do Hora – Educação para todos

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Diz o mestre e educador Paulo Freire:
A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e fora da alegria.

Afinal, faz sentido acrescentar o gênio – escritor Rubens Alves:
Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle.

Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.

E ainda navegando por Paulo Freire, podemos completar com grande sabedoria revelada em seus pensamentos:

Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo. Ninguém ignora tudo, ninguém sabe tudo. Por isso aprendemos sempre. Uma educação que não é libertadora faz o oprimido desejar ser opressor.

Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo, torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente, ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda.

Não há vida sem morte, como não há morte sem vida, mas há também uma “morte em vida”. E a “morte em vida” é exatamente a vida proibida de ser vida.

Quem ensina aprende ao ensinar. E quem aprende ensina ao aprender.
É decidindo que se aprende a decidir.
Se a educação não pode tudo, alguma coisa fundamental a educação pode. Se a educação não é a chave das transformações sociais, não é também simplesmente reprodutora da ideologia dominante.

Ensinar não é transferir conhecimento e sim criar as possibilidades de apreensão.

A educação é um ato de amor, por isso, um ato de coragem. Não pode temer o debate. A análise da realidade. Não pode fugir à discussão criadora, sob pena de ser uma farsa.

Enquanto ensino, continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, contatando intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade.

Educar é impregnar de sentido o que fazemos a cada instante!
Me movo como educador, porque, primeiro, me movo como gente.
A Educação qualquer que seja ela, é sempre uma teoria do conhecimento posta em prática. Para mim, é impossível existir sem sonho. A vida na sua totalidade me ensinou, como grande lição, que é impossível assumi – la sem risco.

E eis que chegam a mim, algumas conclusões:

A Educação é o salto quântico do ser humano e os livros que acrescentam sabedoria e conhecimento são os apoios que se usa no salto primordial para além dos limites.

E o salto para além dos limites consiste em tudo aquilo que se acredita e confia. Delicado quando esses limites são ultrapassados de forma brusca… mudando tudo de direção.

Portanto, a Educação deve trazer em si mesma a equanimidade e a horizontalidade, de tal forma que garanta a verticalização positiva e ascendente.

Por: Márcia Beatriz Prema

16/09/2016